Governadores eleitos abandonam Flávio e se aproximam de Lula
A saída de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após a derrota na eleição presidencial, foi acompanhada por um momento de distanciamento dos seus antigos aliados.
Governadores da direita que apoiaram o senador passaram a reconhecer a vitória de Lula (PT) e a defender o diálogo com o governo federal, deixando Flávio politicamente mais isolado.
Segundo reportagem de Luísa Marzullo e Letícia Pille, publicada neste domingo (1º) pelo jornal O Globo, 13 dos 15 governadores eleitos que apoiaram Flávio no segundo turno reconheceram expressamente a reeleição de Lula. Nenhum deles endossou a carta em que o senador contestou, sem apresentar provas, o resultado das urnas.
Um dos exemplos mais significativos é Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito governador de São Paulo. Antigo ministro de Jair Bolsonaro, ele discordou publicamente da reação de Flávio e defendeu o respeito à decisão dos eleitores.
“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, declarou.
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), eleito com apoio de Flávio, também reconheceu o resultado e afirmou que pretende manter uma relação produtiva com o Planalto para garantir investimentos ao estado.
A mudança de postura tem razões práticas. Em Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos) precisará negociar com Lula uma dívida estadual superior a R$ 180 bilhões. No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) também defendeu o diálogo com Brasília diante das dificuldades fiscais.
Sergio Moro, eleito governador do Paraná, adotou posição semelhante. “A eleição passou, meu foco agora é fazer um bom governo no Paraná”, afirmou, embora tenha ressaltado que continuará na oposição ao presidente.
Entre os aliados de Flávio, Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, e Marcos Rogério (PL), de Rondônia, não haviam reconhecido expressamente a vitória de Lula até a publicação da reportagem, embora tenham admitido o resultado desfavorável ao senador.
O cenário mostra que, enquanto Flávio permanece nos Estados Unidos e insiste em questionar a eleição, boa parte dos governadores que o apoiaram prefere concentrar esforços na administração de seus estados e na relação com o governo Lula. O distanciamento político, porém, não significa necessariamente o rompimento das alianças partidárias.
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